terça-feira, 17 de junho de 2014

Conheces alguma rede de trabalho internacional sobre a Educação de Adultos?

    A European Association for the Education of Adults (EAEA) representa a Educação de Adultos Não Formal em 43 países e organizações europeias diretamente envolvidas.

    Promove a participação na Educação Não Formal, focando-se nos grupos menos representativos, criando uma comunidadeestruturada, desenvolvendo papéis em plataformas políticas, providenciando informações e criando uma rede de informações e de cooperação.

Para mais informações: http://www.eaea.org/

    A European Society for Research on the Education of Adults (ESREA) promove e divulga uma pesquisa teórica e empírica sobre a educação de adultos focado na Europa, através de redes de pesquisa, conferências e publicações. Membros ativos vêm da maior parte da Europa.

Para mais informações: http://www.esrea.org/?l=en

    A missão do European Centre for the Development of Vocational Training (Cedefop) baseia-se no apoio e desenvolvimento das políticas europeias de EFP e contribuir para a sua implementação. 
O seu objetivo estratégico é "reforçar a cooperação europeia e apoiar a Comissão Europeia, os Estados-Membros e os parceiros sociais na conceção e implementação de políticas para um VET atraente que promove a excelência e inclusão social".


    National Institute of Adult Continuing Education (NIACE), é uma instituição de caridade e uma organização não-governamental, composta de membros individuais e corporativos, que vão desde universidades, faculdades e autoridades locais como a BBC, a Federação Nacional dos Institutos Femininos, o Congresso dos Sindicatos e do Ministério da Defesa, entre outros. 
Possuem o privilégio de ter HRH The Princess Royal como membro


Para mais informações: http://www.niace.org.uk/


sábado, 31 de maio de 2014

As Cidades Educadoras

“Viver numa cidade onde cada cidadão se sinta claramente comprometido com a Educação” (Antoní Martorell, entrevista Páginada Educação)

            
             Os centros urbanos cresceram exponencialmente nos últimos anos, independentemente da extensão do seu território, estas são possuem inúmeras iniciativas educativas que visam a promoção e a formação integral do ser humano. Porém, estas potencialidades educativas têm que ser pensadas, compreendidas e desenvolvidas com base num sistema organizado e estruturado. Neste seguimento de ideias, em 1990 criou-se a Associação Internacional de Cidades Educadoras (AICE), aquando a realização do I Congresso Internacional de Cidades Educadoras, em Barcelona. Neste Congresso, estiveram presentes representantes de 60 cidades, onde acordaram a necessidade e a utilidade de trabalharem em conjunto sobre iniciativas e projetos educativos que visem melhorar e enriquecer a qualidade de vida dos seus habitantes (Carta das Cidades Educadoras, 2004). 
             Desta forma, podemos considerar como cidade educadora todos os municípios que assumem coerentemente o imenso potencial que o seu património histórico, cultural, instituições, recursos de diversa índole, eventos e projetos lhes proporciona, transformando-os em capital educativo para todos os habitantes da cidade. Uma Cidade educativa assume-se como tal, “através das suas políticas, a intencionalidade formativa nos seus projetos, com vista a apoiar o desenvolvimento integral do(s) cidadão(s) (Ribeiro; et al. 2013, p.149).
            Em 1994, emerge (oficialmente) o movimento das Cidades Educadoras tendo como objetivo estabelecer permutas e cooperação na implementação e no desenvolvimento da Carta de Princípios.
            A Carta das Cidades Educadoras “estruturam-se em três eixos principais: o direito à Cidade Educadora, o compromisso da cidade com a Educação e o serviço integral às pessoas. Em torno destes eixos articulam-se temas como a diversidade e a cooperação, o diálogo intergeracional, a convivência, a justiça social, o civismo democrático, a qualidade de vida e a promoção dos habitantes” (Antoní Martorell, na entrevista Página da Educação, 2010). Neste sentido, “para que ocorra um processo educativo, os agentes que participam nas relações sociais têm de tomar consciência e ter intencionalidade no ato de educar – isto é, partindo do exemplo, da vivência ou do impacto social, transmitir um conjunto de valores de civilidade” (Antoní Martorell, na entrevista Página da Educação, 2010).
            Dos muitos municípios que constituem a AICE (mais de 300 de 31 países), 46 são cidades portuguesas (Águeda, Albufeira, Almada, Amadora, Azambuja, Barcelos, Barreiro, Braga, Câmara de Lobos, Cascais, Chaves, Coimbra, Esposende, Évora, Fafe, Grândola, Guarda, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Miranda do Corvo, Moura, Odivelas, Oliveira de Azeméis, Paços de Ferreira, Palmela, Paredes, Pombal, Portimão, Porto, Rio Maior, Santa Maria da Feira, Santo Tirso, Santarém, São João da Madeira, Sesimbra, Sever do Vouga, Silves, Sintra, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Vila Franca de Xira, Vila Nova de Famalicão e Vila Real), constituem, desta forma, a nossa Rede Territorial Portuguesa das Cidades Educadoras.
                                                                      
Para mais informações (site oficial da Associação Internacional das Cidades Educadoras): http://www.bcn.cat/edcities/aice/estatiques/angles/sec_iaec.html

Referências Bibliográficas:

Ribeiro, E. J.; Luz, D; Correia, C.; Coelho, A.; Oliveira, E. & Gomes, R. (2013). As cidades Educadoras: Do conceito ao potencial solidário na prevenção dos maus tratos na Infância. Centro de Estudos em Educação, Tecnologias e Saúde. Pp. 147-159. http://www.ipv.pt/millenium/Millenium38/11.pdf

Costa, R. J. (2010). Entrevista a Antoní Martorell - A cidade são as pessoas, a Educação constrói a cidade. In Página da Educação. Pp. 76-81


Um “testemunho” de uma Educadora de Adultos

          A educação de adultos é perspetivada como uma forma de formação que se dirige a todos os adultos com a finalidade de criar condições necessárias para que estes se tornem cidadãos ativos na sua própria formação, capazes de “[…] procurar resposta para todas as suas necessidades e aspirações.” (Dias, 2009, p. 183). O educador de adultos apenas deve ser um facilitador nesta procura, sendo sempre o educando a decidir o que é melhor para si e para a sua vida. Os educadores de adultos devem “[…] saber ouvir as necessidades e aspirações da população, compreender o conjunto de conhecimentos, saberes e costumes que constituem a sua cultura e respeitar os valores que tornam significativas as suas acções.” (Antunes, 2008, p. 87).
A minha experiência neste campo é ainda pequena, mas sem dúvida que é uma área muito enriquecedora e gratificante para quem trabalha com coração e com vontade de mudança. Enquanto profissional posso afirmar que a aprendizagem entre educandos e educador é mútua e este trabalho torna-se bastante gratificante quando feito com alma. No meu caso específico, que estagiei e trabalho com o público idoso, as histórias de vida que são partilhadas são verdadeiros ensinamentos que me fazem refletir sobre o verdadeiro significado de nossas vidas. Trabalhar com a população adulta é sem dúvida um desafio pois, estes têm saberes enraizados que quando expostos nos fazem pensar e refletir e podem alterar o rumo da finalidade e objetivos propostos à priori.
Ser educador de adultos implica ser disponível e flexível para com aquilo que nos comprometemos. Ao longo de um projeto de intervenção vão aparecendo necessidades que não são implícitas no diagnóstico de necessidades e que vão aparecendo no decorrer da intervenção do educador de adultos, necessidades essas que devem conduzir a um ajustamento do projeto de intervenção delineado. Só procedendo a estes ajustes é que se poderá obter resultados satisfatórios e a intervenção poderá atingir o sucesso esperado. No meu trabalho de intervenção, realizado durante o estágio curricular, muitos foram os ajustes feitos e só desta forma o projeto alcançou sucesso junto dos intervenientes. Apesar de já ter um plano definido à priori as adaptações que foram feitas, foram idealizadas de acordo com aquilo que ia perspetivando ao longo de toda a intervenção e que achava ser mais conveniente para as necessidades e interesses demonstrados pelo meu público-alvo.
Ao longo desta minha pequena experiência acredito que, enquanto educadora de adultos, devo assumir um papel de catalisadora, mediadora, facilitadora e impulsionadora, respeitando sempre as particularidades e vontades do meu público-alvo. O educador de adultos deve ser promotor e líder de uma mudança/transformação e construir respostas socialmente sustentadas aos desafios da sociedade, em conjunto com o seu público-alvo.



Referências Bibliográficas:
ANTUNES, M.C. (2008). Educação, Saúde e Desenvolvimento. Coimbra: Edições Almedina.

DIAS, J. R. (2009). Educação – O Caminho da Nova Humanidade: das coisas às Pessoas e aos Valores. Porto: Papiro Editora



terça-feira, 20 de maio de 2014

Competências do Educador de Adultos


As competências adquiridas pelo Educador de Adultos ao longo da sua formação académica constituirão ferramentas indispensáveis para enfrentar um infinito leque de situações no terreno.
A multiplicidade de conteúdos abordados pelas diferentes disciplinas é sem dúvida um precioso contributo à formação de educadores, preparando-os para os futuros desafios na área da intervenção educativa. A articulação das suas aptidões com as de outros profissionais da área da educação será uma prática frequente, tendo como objetivo, uma maior eficácia na elaboração de projetos no âmbito da prevenção primária e da educação não formal (Oliveira, 2001 p. 62).
                Ao longo da sua formação o educador social adquire técnicas e métodos pedagógicos, psicológicos e sociais. O educador de adulto é visto como mediador social, ou seja, um ser flexível, simultaneamente implicado e distante, capaz de empreender e gerir relações interpessoais ao encontrar o outro como indivíduo em conflito ou não, ele vai agir assumindo a sua responsabilidade subjetiva.
                O educador com as suas atitudes e os seus valores pode assim promover a todos um bem-estar mental, físico e social, tentando sempre obter respostas às suas necessidades.
                 Deve ter uma relação de carácter ético, responsabilizar as pessoas, torná-las mais autónomas e conscientes dos seus atos, é a missão da educação social, assim o educador deve ter uma:

“Reflectividade, polivalência técnica, criatividade, adaptabilidade e dinamismo são características fundamentais do saber profissional dos educadores” (Carvalho, & Baptista, 2004, p. 83).

Referências Bibliográficas:

CARVALHO, A. & Baptista I. (2004). Educação Social Fundamentos e estratégias. Colecções Educação e Trabalho Social. Porto Editora 

OLIVEIRA, J.(2001) “Educação Social: Razões de ser”. Espaço de Construção de Identidade Profissional. Educação Social. Porto 61-75.

Características da Educação de Adultos

Batista (s/d) mostra-nos eu o Educador deverá possuir a capacidade de operar com os conhecimentos que advém da sua história de vida, das suas passagens, dos seus ensinamentos, justificando que ensinar requer aprender, e deste modo, o educador deve “estar exposto ao conhecimento, operar com esse conhecimento, sistematizá-lo para depois ser capaz de transpô-lo” (Batista, s/d, p. 47).
Carabantes (s/d), diz alguns dos principios dizem respeito ao Educador de Adultos podem contribuir para uma definição mais coerente do seu perfil, ressaltando os príncipios:
- Humildade: o educador deve aceitar a ignorância sobre si mesmo e dos outros;
 - Modéstia: o educador deve ser modesto e mostrando possuir uma consciência da sua igualdade humana relativamente aos outros;
- Conceito alargado e pluralista da verdade e do saber como património dos homens: o educador deve ter a consciência de que todos têm o direito a conseguir obter certos valores e a desfrutar deles;
- Entender que a alteração da realidade é uma função participativa de todos os homens: o educador não deve conferir a transformação da realidade a núcleos elitistas, mas deve impulsionar e reconhecer o contributo de todos os demais para esta tarefa comum;
- Superação pessoal e alheia: o educador deve fazer destas duas a sua norma de vida;
- Uma confiança crítica nos homens e na humanidade: o educador deve não só tê-la, mas também promovê-la.
Nogueira (1996) citando Tyler, afirma que o Educador de Adultos deve possuir a indispensável preparação para a elaboração autónoma de módulos curriculares com base na avaliação das necessidades, e para isso, diz-nos que o educador deve possuir como pilares fundamentais do seu trabalho a negociação e o consenso, e conseguir trabalhar em equipa pedagógica. Baseando-se em autores como Chamberlain (1962), Aber (1963) e Robinson (1962), este autor enumerou os elementos ideais do perfil de um Educador de Adultos afirmando que este:
- É um programador: pois analisa e apropria o currículo, traçando assim um projeto formativo no local de formação;
- É um investigador: pois agrega permanentemente o pensamento e a ação;
- É um arquiteto: pois reconstrói os pilares do plano curricular;
- É um inovador: pois reinterpreta à luz das necessidades e condições mais concretas de cada situação social, cultural e geográfica;

- É um avaliador: pois reanalisa a sua própria ação e a de todos os atores que fazem parte do processo de formação.

Referências Bibliográficas

Baptista, I. (s/d). O Educador como Adulto de Referência. [Versão electrónica]. Jornal “a Página”, 107, 21.

Carabantes, W. C. (s/d). Formación de Educadores de Adultos. Acedido a Março 8, 2006,de Centro de Cooperación Regional para la Educación de Adultos en América Latina y el Caribe Web site:http://www.crefal.edu.mx/biblioteca_digital/ CEDEAL/acervo_digital/coleccion_crefal/rieda/a1995_1/waldemar.pdf

Freire, P. (1999). Educação e Mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra

Nogueira, A. I. C. (1996). Para uma Educação Permanente à Roda da Vida. Lisboa: Instituto de Inovação Educacional.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Contextos do Educador de Adultos


O Educador de Adultos possui saberes e competências que compreendem a sua atuação dentro e fora do Sistema Educativo, nomeadamente ao nível da Educação, da Formação, da Gestão da Formação, da Intervenção Sociocomunitária e da Mediação Educacional.

De forma mais específica, o Educador de Adultos poderá intervir numa diversidade de contextos, entre os quais:

·       Departamentos de educação permanente e de formação contínua de empresas, hospitais e outros serviços públicos (museus, bibliotecas, fundações);

·       Departamentos de recursos humanos, empresas de consultoria e formação, centros, escolas profissionais e universidades de terceira idade;

·       Serviços de apoio à criança, juventude e terceira idade, serviços tutelares de menores e de educação de adultos;

·       Serviços autárquicos de cultura, educação e ação social, projetos de desenvolvimento local, de intervenção comunitária e animação sócioeducativa, ateliers de ocupação de tempos livres;

·       Instituições de solidariedade social, centros de reeducação e reinserção social, centros de educação especial, tribunal de família e menores, instituições asilares e prisões;

Webgrafia:
  http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/18330/1/Traject%C3%B3rias%20de%20inser%C3%A7%C3%A3o%20profissional%20dos%20licenciados%20em%20Educa%C3%A7%C3%A3o%20pelo%20Instituto%20de%20Educa%C3%A7%C3%A3o%20e%20Psicologia%20da%20Universidade%20do%20Minho.pdf

Educação de Adultos


[…] A educação de adultos é um conjunto de processos educacionais organizados, seja qual for o conteúdo, nível e método, quer sejam formais ou não, quer prolonguem ou substituam a educação inicial nas escolas, faculdades e universidades, bem como estágios profissionais, por meio dos quais pessoas consideradas adultas pela sociedade a que pertencem desenvolvem suas habilidades, enriquecem seus conhecimentos, melhoram suas qualificações técnicas ou profissionais ou tomam uma nova direção e provocam mudanças em suas atitudes e comportamentos na dupla perspetiva de desenvolvimento pessoal e participação plena na vida social, económica e cultural, equilibrada e independente; contudo, a educação de adultos não deve ser considerada como um fim em si, ela é uma subdivisão e uma parte integrante de um esquema global para a educação e a aprendizagem ao longo da vida. (Extraído da Recomendação de Nairóbi sobre o Desenvolvimento da Educação de Adultos, UNESCO, 1976, p. 2).


                        (Relatório global sobre aprendizagem e educação de adultos,2010:13)

O Educador de Adultos



Não há educação de adultos, sem a existência do educador de adultos.

O educador de adultos foi, ao longo dos anos, assumindo várias designações, definições e funções. O educador é, muitas vezes, designado de formador, instrutor, facilitador, consultor, mentor, animador.

Na visão de Josso (2005, p.118) o educador aparece assocado à figura de instrutor e militante, apontando o educador como impositor, que meramente transmite conteúdos. A mesma autora fala-nos, também, da figura de mestre e de passador (p.119), estes apontam para educador que acompanha e orienta o processo educativo e de aprendizagem do adulto. Para Julius Nyerere (citado por Carabantes, 1995, p.35) define o educador de adultos como “un «líder», como un guía en el sendero que todos recorrerán juntos”. Nesta linha de orientação, o educador de adultos é um agente de mudança, que ajuda o adulto enquanto ser aprendente no seu crescimento e desenvolvimento pessoal, profissional e social. Um especialista em educação de adultos depara-se com uma multiplicidade institucional, variedades de atividades, diversas atuações, diferentes atores, experiências e funções que inevitavelmente traduz-se em caraterísticas e perfis diferentes a outros profissionais de educação (Prieto & Berrocoso, 1995, p. 100).
Na Recomendação sobre o Desenvolvimento da Educação de Adultos, em 1976 (Nairobi, UNESCO) reconheceu-se a necessidade de construir educadores dotados de competências, capacidades, conhecimentos e compreensão de atitudes específicas e que “trabalhem a tempo inteiro, com estatuto definido e remuneração condigna” (Dias, 1979, p.57). Neste sentido, a formação do educador de adultos é fundamental para saber interpretar, compreender a realidade de cada adulto, de modo a conseguir criar e desenvolver espaços de aprendizagens específicas às suas necessidades. Esta formação é um processo permanente e sistemático, que se desenvolve com o contacto e com o compromisso com o adulto. Neste processo continuado, é indispensável que o educador de adultos reflita sobre: a sua própria prática, sobre as circunstâncias que a determinam e influenciam, as suas finalidades, o processo de aprendizagem do adulto, saber como ele aprende. Contudo, antes de tudo, o educador de adultos deve conhecer-se, estudar os seus limites e defeitos, as suas capacidades e competências, pois só assim, poderá orientar e trabalhar com o adulto da melhor forma possível.
O educador de adultos é, então, o dinamizador da educação de adultos no terreno, fundamentado em diversas metodologias, técnicas e abordagens pedagógicas e de intervenção específicas para os adultos e as suas necessidades.
Uma regra basilar de educação de adultos é reconhecer o adulto como adulto e trata-lo como tal: o educador deve respeitar o adulto, fazendo uso da sua experiência (quer profissional quer pessoal) no seu processo de aprendizagem, uma vez que educação de adultos não é um retorno à escola. Também, é fundamental, que o educador conheça o adulto: caraterísticas, personalidades, origens, o ser único que o outro é (Norbeck, 1978, p. 198). Como Paulo Freire (1999, p.29) afirmava que os educadores não se podem colocar “na posição do ser superior que ensina [educa] um grupo de ignorantes, mas sim na posição humilde daquele que comunica um saber relativo a outros que possuem outro saber relativo”.
O educador de adultos programa um dispositivo educativo adaptado às especificidades do grupo de adultos e às suas necessidades, que geralmente, necessita de ser reconstruído e avaliado ao longo das faces do processo educativo (face às exigência, imprevisibilidade e desafios que o mundo da educação de adultos é), que por sua vez, implica uma investigação permanente entre a(s) prática(s) desenvolvidas e o pensamento.
Em suma, o educador deve assumir-se como um ser que é, pensante, falante, comprometido, corajoso, humilde e transformador. O educador detém “um poder inquestionável. (…) O educador terá que responder com profissionalismo, com competência técnica mas também com sentido ético à tarefa que lhe é confiada. Na verdade, para ser educador já não basta ser um bom ensinante ou um técnico-especialista competente. Ele terá que ser um agente de proximidade e de contágio [um exemplo] atento aos sinais de alteridade dos seus educandos e um gestor hábil do equilíbrio necessário” (Baptista, 2000).
Referências:
Baptista, I. (2000). O Educador como Adulto de Referência. Jornal “a Página”, 107, 21. http://www.apagina.pt/?aba=7&cat=107&doc=8569&mid=2. Acedido em 14/04/2014
Carabantes,  C. (1995). Formación de Educadores de Adultos. Centro de Cooperación Regional para la Educación de Adultos en América Latina y el Caribe. http://www.uned.es/reop/pdfs/2012/23-3%20completo.pdf Acedido em 14/04/2014
Dias,  R. (1979). A Educação de adultos. Introdução histórica. Braga: Universidade do Minho
Freire, P. (1999). Educação e Mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra
JOSSO, C. (2005). Formação de adultos: aprender a viver e a gerir as mudanças. In: Canário, R. & Belmiro, C. (Orgs.). Educação e formação de adultos: mutações e convergências. Lisboa: Educa
Prieto,  F. & Berrocoso .V (s/d)- Perfil actitudinal del educador de adultos. Revista Rvta. Interuniversitaria de Formación del Profesorado, n° 22., pp. 99-106 http://www.aufop.com/aufop/uploaded_files/articulos/1269129607.pdf. Acedido em 14/042014
Norbeck, J. (1978). O educando adulto. In Gusmão, M. J. & Marques, A. J. G. (Coords.) Educação de Adultos. Braga: Universidade do Minho, pp. 197-213