sábado, 31 de maio de 2014

Um “testemunho” de uma Educadora de Adultos

          A educação de adultos é perspetivada como uma forma de formação que se dirige a todos os adultos com a finalidade de criar condições necessárias para que estes se tornem cidadãos ativos na sua própria formação, capazes de “[…] procurar resposta para todas as suas necessidades e aspirações.” (Dias, 2009, p. 183). O educador de adultos apenas deve ser um facilitador nesta procura, sendo sempre o educando a decidir o que é melhor para si e para a sua vida. Os educadores de adultos devem “[…] saber ouvir as necessidades e aspirações da população, compreender o conjunto de conhecimentos, saberes e costumes que constituem a sua cultura e respeitar os valores que tornam significativas as suas acções.” (Antunes, 2008, p. 87).
A minha experiência neste campo é ainda pequena, mas sem dúvida que é uma área muito enriquecedora e gratificante para quem trabalha com coração e com vontade de mudança. Enquanto profissional posso afirmar que a aprendizagem entre educandos e educador é mútua e este trabalho torna-se bastante gratificante quando feito com alma. No meu caso específico, que estagiei e trabalho com o público idoso, as histórias de vida que são partilhadas são verdadeiros ensinamentos que me fazem refletir sobre o verdadeiro significado de nossas vidas. Trabalhar com a população adulta é sem dúvida um desafio pois, estes têm saberes enraizados que quando expostos nos fazem pensar e refletir e podem alterar o rumo da finalidade e objetivos propostos à priori.
Ser educador de adultos implica ser disponível e flexível para com aquilo que nos comprometemos. Ao longo de um projeto de intervenção vão aparecendo necessidades que não são implícitas no diagnóstico de necessidades e que vão aparecendo no decorrer da intervenção do educador de adultos, necessidades essas que devem conduzir a um ajustamento do projeto de intervenção delineado. Só procedendo a estes ajustes é que se poderá obter resultados satisfatórios e a intervenção poderá atingir o sucesso esperado. No meu trabalho de intervenção, realizado durante o estágio curricular, muitos foram os ajustes feitos e só desta forma o projeto alcançou sucesso junto dos intervenientes. Apesar de já ter um plano definido à priori as adaptações que foram feitas, foram idealizadas de acordo com aquilo que ia perspetivando ao longo de toda a intervenção e que achava ser mais conveniente para as necessidades e interesses demonstrados pelo meu público-alvo.
Ao longo desta minha pequena experiência acredito que, enquanto educadora de adultos, devo assumir um papel de catalisadora, mediadora, facilitadora e impulsionadora, respeitando sempre as particularidades e vontades do meu público-alvo. O educador de adultos deve ser promotor e líder de uma mudança/transformação e construir respostas socialmente sustentadas aos desafios da sociedade, em conjunto com o seu público-alvo.



Referências Bibliográficas:
ANTUNES, M.C. (2008). Educação, Saúde e Desenvolvimento. Coimbra: Edições Almedina.

DIAS, J. R. (2009). Educação – O Caminho da Nova Humanidade: das coisas às Pessoas e aos Valores. Porto: Papiro Editora



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