“Viver
numa cidade onde cada cidadão se sinta claramente comprometido com a Educação” (Antoní Martorell, entrevista Páginada Educação)
Os
centros urbanos cresceram exponencialmente nos últimos anos, independentemente
da extensão do seu território, estas são possuem inúmeras iniciativas
educativas que visam a promoção e a formação integral do ser humano. Porém,
estas potencialidades educativas têm que ser pensadas, compreendidas e
desenvolvidas com base num sistema organizado e estruturado. Neste seguimento
de ideias, em 1990 criou-se a Associação Internacional de Cidades Educadoras
(AICE), aquando a realização do I Congresso Internacional de Cidades
Educadoras, em Barcelona. Neste Congresso, estiveram presentes representantes
de 60 cidades, onde acordaram a necessidade e a utilidade de trabalharem em
conjunto sobre iniciativas e projetos educativos que visem melhorar e
enriquecer a qualidade de vida dos seus habitantes (Carta das Cidades Educadoras, 2004).
Desta forma, podemos considerar como cidade educadora todos os
municípios que assumem coerentemente o imenso potencial que o seu património
histórico, cultural, instituições, recursos de diversa índole, eventos e projetos
lhes proporciona, transformando-os em capital educativo para todos os
habitantes da cidade. Uma Cidade educativa assume-se como tal, “através das
suas políticas, a intencionalidade formativa nos seus projetos, com vista a
apoiar o desenvolvimento integral do(s) cidadão(s) (Ribeiro; et al. 2013,
p.149).
Em 1994, emerge (oficialmente) o
movimento das Cidades Educadoras tendo como objetivo estabelecer permutas e
cooperação na implementação e no desenvolvimento da Carta de Princípios.
A Carta das Cidades Educadoras
“estruturam-se em três eixos principais: o direito à Cidade Educadora, o
compromisso da cidade com a Educação e o serviço integral às pessoas. Em torno
destes eixos articulam-se temas como a diversidade e a cooperação, o diálogo
intergeracional, a convivência, a justiça social, o civismo democrático, a
qualidade de vida e a promoção dos habitantes” (Antoní Martorell, na entrevista
Página da Educação, 2010). Neste
sentido, “para que ocorra um processo educativo, os agentes que participam nas
relações sociais têm de tomar consciência e ter intencionalidade no ato de
educar – isto é, partindo do exemplo, da vivência ou do impacto social,
transmitir um conjunto de valores de civilidade” (Antoní Martorell, na
entrevista Página da Educação, 2010).
Dos muitos municípios que constituem
a AICE (mais de 300 de 31 países), 46 são cidades portuguesas (Águeda,
Albufeira, Almada, Amadora, Azambuja, Barcelos, Barreiro, Braga, Câmara de
Lobos, Cascais, Chaves, Coimbra, Esposende, Évora, Fafe, Grândola, Guarda,
Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Miranda do Corvo, Moura, Odivelas, Oliveira de
Azeméis, Paços de Ferreira, Palmela, Paredes, Pombal, Portimão, Porto, Rio
Maior, Santa Maria da Feira, Santo Tirso, Santarém, São João da Madeira,
Sesimbra, Sever do Vouga, Silves, Sintra, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa,
Vila Franca de Xira, Vila Nova de Famalicão e Vila Real), constituem, desta
forma, a nossa Rede Territorial Portuguesa das Cidades Educadoras.
Referências Bibliográficas:
Ribeiro,
E. J.; Luz, D; Correia, C.; Coelho, A.; Oliveira, E. & Gomes, R. (2013). As
cidades Educadoras: Do conceito ao potencial solidário na prevenção dos maus
tratos na Infância. Centro de Estudos em
Educação, Tecnologias e Saúde. Pp. 147-159. http://www.ipv.pt/millenium/Millenium38/11.pdf
Costa,
R. J. (2010). Entrevista a Antoní Martorell - A cidade são as pessoas, a
Educação constrói a cidade. In Página da Educação. Pp. 76-81