sábado, 31 de maio de 2014

As Cidades Educadoras

“Viver numa cidade onde cada cidadão se sinta claramente comprometido com a Educação” (Antoní Martorell, entrevista Páginada Educação)

            
             Os centros urbanos cresceram exponencialmente nos últimos anos, independentemente da extensão do seu território, estas são possuem inúmeras iniciativas educativas que visam a promoção e a formação integral do ser humano. Porém, estas potencialidades educativas têm que ser pensadas, compreendidas e desenvolvidas com base num sistema organizado e estruturado. Neste seguimento de ideias, em 1990 criou-se a Associação Internacional de Cidades Educadoras (AICE), aquando a realização do I Congresso Internacional de Cidades Educadoras, em Barcelona. Neste Congresso, estiveram presentes representantes de 60 cidades, onde acordaram a necessidade e a utilidade de trabalharem em conjunto sobre iniciativas e projetos educativos que visem melhorar e enriquecer a qualidade de vida dos seus habitantes (Carta das Cidades Educadoras, 2004). 
             Desta forma, podemos considerar como cidade educadora todos os municípios que assumem coerentemente o imenso potencial que o seu património histórico, cultural, instituições, recursos de diversa índole, eventos e projetos lhes proporciona, transformando-os em capital educativo para todos os habitantes da cidade. Uma Cidade educativa assume-se como tal, “através das suas políticas, a intencionalidade formativa nos seus projetos, com vista a apoiar o desenvolvimento integral do(s) cidadão(s) (Ribeiro; et al. 2013, p.149).
            Em 1994, emerge (oficialmente) o movimento das Cidades Educadoras tendo como objetivo estabelecer permutas e cooperação na implementação e no desenvolvimento da Carta de Princípios.
            A Carta das Cidades Educadoras “estruturam-se em três eixos principais: o direito à Cidade Educadora, o compromisso da cidade com a Educação e o serviço integral às pessoas. Em torno destes eixos articulam-se temas como a diversidade e a cooperação, o diálogo intergeracional, a convivência, a justiça social, o civismo democrático, a qualidade de vida e a promoção dos habitantes” (Antoní Martorell, na entrevista Página da Educação, 2010). Neste sentido, “para que ocorra um processo educativo, os agentes que participam nas relações sociais têm de tomar consciência e ter intencionalidade no ato de educar – isto é, partindo do exemplo, da vivência ou do impacto social, transmitir um conjunto de valores de civilidade” (Antoní Martorell, na entrevista Página da Educação, 2010).
            Dos muitos municípios que constituem a AICE (mais de 300 de 31 países), 46 são cidades portuguesas (Águeda, Albufeira, Almada, Amadora, Azambuja, Barcelos, Barreiro, Braga, Câmara de Lobos, Cascais, Chaves, Coimbra, Esposende, Évora, Fafe, Grândola, Guarda, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Miranda do Corvo, Moura, Odivelas, Oliveira de Azeméis, Paços de Ferreira, Palmela, Paredes, Pombal, Portimão, Porto, Rio Maior, Santa Maria da Feira, Santo Tirso, Santarém, São João da Madeira, Sesimbra, Sever do Vouga, Silves, Sintra, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Vila Franca de Xira, Vila Nova de Famalicão e Vila Real), constituem, desta forma, a nossa Rede Territorial Portuguesa das Cidades Educadoras.
                                                                      
Para mais informações (site oficial da Associação Internacional das Cidades Educadoras): http://www.bcn.cat/edcities/aice/estatiques/angles/sec_iaec.html

Referências Bibliográficas:

Ribeiro, E. J.; Luz, D; Correia, C.; Coelho, A.; Oliveira, E. & Gomes, R. (2013). As cidades Educadoras: Do conceito ao potencial solidário na prevenção dos maus tratos na Infância. Centro de Estudos em Educação, Tecnologias e Saúde. Pp. 147-159. http://www.ipv.pt/millenium/Millenium38/11.pdf

Costa, R. J. (2010). Entrevista a Antoní Martorell - A cidade são as pessoas, a Educação constrói a cidade. In Página da Educação. Pp. 76-81


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