Não há educação de adultos, sem a existência do educador
de adultos.
O educador de adultos foi, ao longo dos anos, assumindo várias
designações, definições e funções. O educador é, muitas vezes, designado de formador,
instrutor, facilitador, consultor, mentor, animador.
Na visão de Josso (2005, p.118) o educador aparece assocado
à figura de instrutor e militante, apontando o educador como impositor,
que meramente transmite conteúdos. A mesma autora fala-nos, também, da figura
de mestre e de passador (p.119), estes apontam para educador que acompanha e
orienta o processo educativo e de aprendizagem do adulto. Para Julius Nyerere
(citado por Carabantes, 1995, p.35) define o educador de adultos como “un
«líder», como un guía en el sendero que todos recorrerán juntos”. Nesta linha
de orientação, o educador de adultos é um agente de mudança, que ajuda o adulto
enquanto ser aprendente no seu crescimento e desenvolvimento pessoal,
profissional e social. Um especialista em educação de adultos depara-se com uma
multiplicidade institucional, variedades de atividades, diversas atuações,
diferentes atores, experiências e funções que inevitavelmente traduz-se em caraterísticas
e perfis diferentes a outros profissionais de educação (Prieto & Berrocoso,
1995, p. 100).
Na Recomendação sobre o Desenvolvimento da Educação
de Adultos, em 1976 (Nairobi, UNESCO) reconheceu-se a necessidade de construir
educadores dotados de competências, capacidades, conhecimentos e compreensão
de atitudes específicas e que “trabalhem a tempo inteiro, com estatuto definido
e remuneração condigna” (Dias, 1979, p.57). Neste sentido, a formação do
educador de adultos é fundamental para saber interpretar, compreender a
realidade de cada adulto, de modo a conseguir criar e desenvolver espaços de
aprendizagens específicas às suas necessidades. Esta formação é um processo
permanente e sistemático, que se desenvolve com o contacto e com o compromisso
com o adulto. Neste processo continuado, é indispensável que o educador de
adultos reflita sobre: a sua própria prática, sobre as circunstâncias que a
determinam e influenciam, as suas finalidades, o processo de aprendizagem do
adulto, saber como ele aprende. Contudo, antes de tudo, o educador de adultos
deve conhecer-se, estudar os seus limites e defeitos, as suas capacidades e
competências, pois só assim, poderá orientar e trabalhar com o adulto da melhor
forma possível.
O educador de adultos é, então, o dinamizador da
educação de adultos no terreno, fundamentado em diversas metodologias, técnicas
e abordagens pedagógicas e de intervenção específicas para os adultos e as suas
necessidades.
Uma regra basilar de educação de adultos é
reconhecer o adulto como adulto e trata-lo como tal: o educador deve respeitar
o adulto, fazendo uso da sua experiência (quer profissional quer pessoal) no seu
processo de aprendizagem, uma vez que educação de adultos não é um retorno à
escola. Também, é fundamental, que o educador conheça o adulto: caraterísticas,
personalidades, origens, o ser único que o outro é (Norbeck, 1978, p. 198).
Como Paulo Freire (1999, p.29) afirmava que os educadores não se podem colocar
“na posição do ser superior que ensina [educa] um grupo de ignorantes, mas sim
na posição humilde daquele que comunica um saber relativo a outros que possuem
outro saber relativo”.
O educador de adultos programa um dispositivo
educativo adaptado às especificidades do grupo de adultos e às suas
necessidades, que geralmente, necessita de ser reconstruído e avaliado ao longo
das faces do processo educativo (face às exigência, imprevisibilidade e
desafios que o mundo da educação de adultos é), que por sua vez, implica uma
investigação permanente entre a(s) prática(s) desenvolvidas e o pensamento.
Em suma, o educador deve assumir-se como um ser que é,
pensante, falante, comprometido, corajoso, humilde e transformador. O educador
detém “um poder inquestionável. (…) O educador terá que responder com
profissionalismo, com competência técnica mas também com sentido ético à tarefa
que lhe é confiada. Na verdade, para ser educador já não basta ser um bom
ensinante ou um técnico-especialista competente. Ele terá que ser um agente de
proximidade e de contágio [um exemplo] atento aos sinais de alteridade dos seus
educandos e um gestor hábil do equilíbrio necessário” (Baptista, 2000).
Referências:
Baptista,
I. (2000). O Educador como Adulto de Referência. Jornal “a Página”, 107, 21.
http://www.apagina.pt/?aba=7&cat=107&doc=8569&mid=2. Acedido em
14/04/2014
Dias, R. (1979). A Educação de adultos. Introdução histórica. Braga: Universidade
do Minho
Freire,
P. (1999). Educação e Mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra
JOSSO,
C. (2005). Formação de adultos: aprender a viver e a gerir as mudanças. In:
Canário, R. & Belmiro, C. (Orgs.). Educação e formação de adultos: mutações
e convergências. Lisboa: Educa
Norbeck,
J. (1978). O educando adulto. In
Gusmão, M. J. & Marques, A. J. G. (Coords.) Educação de Adultos. Braga: Universidade do Minho, pp. 197-213