quarta-feira, 30 de abril de 2014

O Educador de Adultos



Não há educação de adultos, sem a existência do educador de adultos.

O educador de adultos foi, ao longo dos anos, assumindo várias designações, definições e funções. O educador é, muitas vezes, designado de formador, instrutor, facilitador, consultor, mentor, animador.

Na visão de Josso (2005, p.118) o educador aparece assocado à figura de instrutor e militante, apontando o educador como impositor, que meramente transmite conteúdos. A mesma autora fala-nos, também, da figura de mestre e de passador (p.119), estes apontam para educador que acompanha e orienta o processo educativo e de aprendizagem do adulto. Para Julius Nyerere (citado por Carabantes, 1995, p.35) define o educador de adultos como “un «líder», como un guía en el sendero que todos recorrerán juntos”. Nesta linha de orientação, o educador de adultos é um agente de mudança, que ajuda o adulto enquanto ser aprendente no seu crescimento e desenvolvimento pessoal, profissional e social. Um especialista em educação de adultos depara-se com uma multiplicidade institucional, variedades de atividades, diversas atuações, diferentes atores, experiências e funções que inevitavelmente traduz-se em caraterísticas e perfis diferentes a outros profissionais de educação (Prieto & Berrocoso, 1995, p. 100).
Na Recomendação sobre o Desenvolvimento da Educação de Adultos, em 1976 (Nairobi, UNESCO) reconheceu-se a necessidade de construir educadores dotados de competências, capacidades, conhecimentos e compreensão de atitudes específicas e que “trabalhem a tempo inteiro, com estatuto definido e remuneração condigna” (Dias, 1979, p.57). Neste sentido, a formação do educador de adultos é fundamental para saber interpretar, compreender a realidade de cada adulto, de modo a conseguir criar e desenvolver espaços de aprendizagens específicas às suas necessidades. Esta formação é um processo permanente e sistemático, que se desenvolve com o contacto e com o compromisso com o adulto. Neste processo continuado, é indispensável que o educador de adultos reflita sobre: a sua própria prática, sobre as circunstâncias que a determinam e influenciam, as suas finalidades, o processo de aprendizagem do adulto, saber como ele aprende. Contudo, antes de tudo, o educador de adultos deve conhecer-se, estudar os seus limites e defeitos, as suas capacidades e competências, pois só assim, poderá orientar e trabalhar com o adulto da melhor forma possível.
O educador de adultos é, então, o dinamizador da educação de adultos no terreno, fundamentado em diversas metodologias, técnicas e abordagens pedagógicas e de intervenção específicas para os adultos e as suas necessidades.
Uma regra basilar de educação de adultos é reconhecer o adulto como adulto e trata-lo como tal: o educador deve respeitar o adulto, fazendo uso da sua experiência (quer profissional quer pessoal) no seu processo de aprendizagem, uma vez que educação de adultos não é um retorno à escola. Também, é fundamental, que o educador conheça o adulto: caraterísticas, personalidades, origens, o ser único que o outro é (Norbeck, 1978, p. 198). Como Paulo Freire (1999, p.29) afirmava que os educadores não se podem colocar “na posição do ser superior que ensina [educa] um grupo de ignorantes, mas sim na posição humilde daquele que comunica um saber relativo a outros que possuem outro saber relativo”.
O educador de adultos programa um dispositivo educativo adaptado às especificidades do grupo de adultos e às suas necessidades, que geralmente, necessita de ser reconstruído e avaliado ao longo das faces do processo educativo (face às exigência, imprevisibilidade e desafios que o mundo da educação de adultos é), que por sua vez, implica uma investigação permanente entre a(s) prática(s) desenvolvidas e o pensamento.
Em suma, o educador deve assumir-se como um ser que é, pensante, falante, comprometido, corajoso, humilde e transformador. O educador detém “um poder inquestionável. (…) O educador terá que responder com profissionalismo, com competência técnica mas também com sentido ético à tarefa que lhe é confiada. Na verdade, para ser educador já não basta ser um bom ensinante ou um técnico-especialista competente. Ele terá que ser um agente de proximidade e de contágio [um exemplo] atento aos sinais de alteridade dos seus educandos e um gestor hábil do equilíbrio necessário” (Baptista, 2000).
Referências:
Baptista, I. (2000). O Educador como Adulto de Referência. Jornal “a Página”, 107, 21. http://www.apagina.pt/?aba=7&cat=107&doc=8569&mid=2. Acedido em 14/04/2014
Carabantes,  C. (1995). Formación de Educadores de Adultos. Centro de Cooperación Regional para la Educación de Adultos en América Latina y el Caribe. http://www.uned.es/reop/pdfs/2012/23-3%20completo.pdf Acedido em 14/04/2014
Dias,  R. (1979). A Educação de adultos. Introdução histórica. Braga: Universidade do Minho
Freire, P. (1999). Educação e Mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra
JOSSO, C. (2005). Formação de adultos: aprender a viver e a gerir as mudanças. In: Canário, R. & Belmiro, C. (Orgs.). Educação e formação de adultos: mutações e convergências. Lisboa: Educa
Prieto,  F. & Berrocoso .V (s/d)- Perfil actitudinal del educador de adultos. Revista Rvta. Interuniversitaria de Formación del Profesorado, n° 22., pp. 99-106 http://www.aufop.com/aufop/uploaded_files/articulos/1269129607.pdf. Acedido em 14/042014
Norbeck, J. (1978). O educando adulto. In Gusmão, M. J. & Marques, A. J. G. (Coords.) Educação de Adultos. Braga: Universidade do Minho, pp. 197-213


3 comentários:

  1. Feliz iniciativa este de apresentarem, partilharem e discutirem assuntos relacionados com a Educação de Adultos, tema tão importante quando se fomenta e se valoriza a aprendizagem ao longo da vida.
    Há muita documentação e muitos projetos europeus acerca deste tema, quando puderem pesquisem, pode ajudar.

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  2. Boa iniciativa! Já era necessário! Boa sorte :)

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  3. Durante o meu percurso académico sempre "ouvi falar" de inúmeras modalidades de Educação: educação para a saúde, educação sexual, educação ambiental, educação não-escolar, educação e multimédia entre outros. Mas agora questiono, será que os jovens que estudam estas artes {sim porque educar é uma arte} estarão preparados para o futuro que os espera?
    É lamentável que uma licenciatura em Educação não tenha a visibilidade e o reconhecimento que, de facto, merece! A Universidade do Minho tem a melhor licenciatura em Educação do país, mas será que o país tem uma Educação para o desemprego??! Dêem uma vista de olhos neste blogue e coloquem "like" nesta página, conheçam as verdadeiras funções de um educador de adultos e ajudem-nos a desmistificar estas ideia que o público tem de sermos " professores". Só assim podemos inovar, educar e reeducar e combater esta lacuna que existe no país, o desemprego. Fica a dica!

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